O
texto em estudo debate também “Uma nova Política de Educação Especial na
Perspectiva Inclusiva, principalmente para pessoas com surdez, tem se tornado
promissora no ambiente escolar e nas práticas sociais/institucionais. Porém,
por mais que as políticas estejam já definidas, muitas questões e desafios
ainda estão para ser discutidos, muitas propostas, principalmente no espaço
escolar, precisam ser revistas e algumas tomadas de posição e bases
epistemológicas precisam ficar mais claras, para que, realmente, as práticas de
ensino e aprendizagem na escola comum pública e também privada apresentem
caminhos consistentes e produtivos para a educação de pessoas com surdez”. Embora
as Políticas Públicas Educacionais para pessoas com surdez tenha conquistado
espaço satisfatório os desafios estão presentes constantemente manifestadas através
das barreiras arquitetônicas e
atitudinais porém nem sempre são intencionais ou percebidas por assim
dizer, o maior problema dessas barreiras encontra-se em não eliminarmos quando
detectadas, algumas dessas são
utilizadas por meio de rótulos que se constituem no ambiente escolar e em
outros espaços sociais, na forma de: ignorância
- quando desconhecemos e desvalorizamos as potencialidades das pessoas com
surdez; medo - receio ao receber o aluno com surdez porque teme em fazer ou
dizer algo errado; rejeição - quando inconscientemente recusa-se em interagir
ou envolvê-lo nas ações do cotidiano escolar; percepção de inferioridade - ao avaliar
este como incapaz ou limitá-lo por acreditar que ele não consegue ou conseguirá
apenas uma parte. Acredita-se que a
pessoa com surdez não acompanha os demais pois esta é uma atitude
preconceituosa porque todas as pessoas apresentam rítimos diferentes, ninguém acompanha ninguém cada um
faz seu percurso mesmo numa proposta coletiva.
Segundo
DAMÀZIO, torna-se difícil e complexo estabelecermos fronteiras bem delineadas
entre os vários contextos sociais e de vida, para limitar ou delimitar onde
começam e terminam as culturas ali existentes. Enfim, pensar e construir uma
prática pedagógica que se volte para o desenvolvimento das potencialidades das
pessoas com surdez, na escola, é fazer com que essa instituição esteja imersa
nesse emaranhado de redes sociais, culturais e de saberes.
Nesse
sentido faz-se necessário que essas instituições estejam abertas para mudanças
inovadoras nas práticas pedagógicas, metodologias aplicadas, transformações
atitudinais entre outras. Para isso realmente é necessário discutir mais sobre
as necessidades educativas dessa clientela pois elas precisam também de
ambientes educacionais estimuladores e desafiadores que exercitem a capacidade
e respeite as limitações individualizadas, valorizando as potencialidades de
cada individuo com surdez dentro e fora do ambiente escolar.
Diante
das situações desconfortáveis vivenciadas a abordagem bilíngue irá minimizar ou
até mesmo eliminar certos obstáculos impostos pela sociedade na vida dessas
pessoas pois a aquisição da língua de sinais garante uma aprendizagem significativa
dependendo do ambiente em que a pessoa com surdez está inserida. Essa abordagem
já é garantida por lei através do Decreto 5.626 de 5 de
dezembro de 2005, que determina o direito de uma educação que garanta a
formação da pessoa com surdez, em que a Língua Brasileira de Sinais e a Língua
Portuguesa, preferencialmente na sua modalidade escrita, constituam línguas de
instrução, e que o acesso às duas línguas
ocorra de forma simultânea no ambiente escolar, colaborando para o
desenvolvimento de todo o processo educativo.
Considerando que o fracasso do processo educativo das
pessoas com surdez é um problema da qualidade das práticas pedagógicas e não um
problema somente focado nessa ou naquela língua, ou mesmo numa diferença
cultural, envolvendo outra cultura, uma comunidade com identidades surdas
próprias. Esse ser humano precisa ser trabalhado no espaço escolar como um
ser que possui uma deficiência, e que essa deficiência provoca uma
diferença e limitações, que essa
diferença e tais limitações devem ser
reconhecidas e respeitadas, mas não podemos
justificar o fracasso nessa questão, em virtude de cairmos na cilada da
diferença, segundo (PIERUCCI, 1999).
Referência Bibliográfica
DAMÁZIO, M.F.M; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas Com Surdez-
Atendimento Educacional Especializado Em Construção. Revista Inclusão:
Brasília: MEC, V. 5.2010. p.46-57.
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