domingo, 1 de dezembro de 2013

A.V.D

Atividades da Vida Diária (A.V.D.)
Descrição: as dificuldades da vida diária é sem dúvida, um dos grandes prejuízos acarretados pela cegueira e se não for devidamente considerada, levará o indivíduo à contínua dependência. O desenvolvimento das habilidades necessárias para realização das atividades cotidianas constitui um dos aspectos mais importantes.
Atividades da vida diária - Clique para ampliarObjetivo: desenvolver os sentidos remanescentes, mediante atividades funcionais contextualizadas, a fim de que o aluno se torne auto-suficiente para alimentar-se, vestir-se, executar as tarefas rotineiras do lar, conviver adequadamente e participar em sua comunidade.
Público Alvo: deficientes visuais totais e de visão subnormal, desde que apresentem insegurança ou dificuldades para realizar atividades de rotina (para alunos de ingresso recente, acima de 14 anos)
Período de realização: as atividades mais comuns são repassadas pelo professor aos alunos para avaliar o domínio das situações de auto cuidado. O atendimento é realizado em grupo ( individual quando necessário) de acordo com as características e necessidades. O planejamento é individual e busca desenvolver posturas, habilidades e rotinas na vida diária de cada um.
Braille
brailleDescrição: o ensino da metodologia Braille visa a alfabetização, o conhecimento da técnica de leitura e escrita, manejo da reglete e máquina Perkins e a utilização do conhecimento através dos exercícios de leitura e escrita.
Objetivos: domínio da técnica para ter acesso à informações através da leitura e/ou para aplicar aos conteúdos constantes do ensino regular.
Público alvo: deficientes visuais totais.
Período de realização: tempo provável para se apropriar da técnica é de tres anos, porém depende do perfil de cada aluno. O planejamento é individual, respeitando o rítmo de cada um e privilegiando os conteúdos escolares caso estejam engajados em outras atividades escolares, sociais e culturais.
Educação Física e Recreação Infantil
Educação física
Descrição:
 as atividades desenvolvidas na educação física adaptada ao deficiente visual são semelhantes àquelas destinadas aos alunos videntes, uma vez que o movimento corporal é inerente ao homem desde o seu nascimento. O deficiente visual apresenta uma defasagem na área psicomotora ( esquema corporal; equilíbrio; expressão corporal e facial; mobilidade, lateralidade, noção espaço - temporal e respiração) em função de sua limitação sensorial.
Objetivo: a educação física e a recreação infantil tem por objetivo possibilitar aos alunos deficientes visuais, o desenvolvimento de habilidades psicomotoras, pois através da prática dos exercícios eles percebem o valor do próprio corpo e começam a vivenciar experiências até então desconhecidas por falta de um "modelo" visual, falta de estímulo por parte das pessoas de seu convívio e, principalmente pela insegurança em relação a suas possibilidades de ação física, o que acarreta dependência, apatia, isolamento, desinteresse pela ação motora, sentimento de menos valia, auto confiança prejudicada e dificuldade de se relacionar consigo mesmo, com as pessoas e com o ambiente.
Academia - clique para ampliar Público alvo: deficientes visuais totais e de visão subnormal que não freqüentam o ensino regular. Para a recreação infantil, é indicada aos alunos da educação infantil – pré-escolar.
Período de realização: as aulas de educação física são ministradas em grupos de aproximadamente 6 a 8 alunos . Cada grupo é atendido duas vezes por semana com duração de cinqüenta minutos cada atendimento. Além dos atendimentos em sala com uso de aparelhagem própria para os exercícios (academia), também são incluídas caminhadas e atividades extra- classe. As atividades são adaptadas dentro da capacidade de cada aluno. Os atendimentos de recreação infantil acontecem em grupos de aproximadamente 6 crianças, levando em conta a idade e limitações. Estes grupos são atendidos uma vez por semana e a duração é de 60 minutos cada atendimento. Em todos os atendimentos é dado enfoque à utilização de músicas de diferentes ritmos. 
Estimulação VisualEstimulação visual
Descrição: a Estimulação Visual pode ser entendida como um conjunto de procedimentos sensibilizadores da capacidade perceptiva visual, objetivando o emprego adequado da visão de portadores de comprometimentos ópticos diversos não passíveis de correção refrativa satisfatória. Objetivo: proporcionar ao aluno experiências em situações que propiciam o desenvolvimento das funções ópticas defasadas, estacionárias ou latentes.
Público alvo: além das pessoas com visão subnormal, os amblíopes e os que possuem distúrbios de alta refração. Dos três grupos mencionados o que exige prioridade em termos de atendimentos educacionais é o grupo de significativa redução de Acuidade Visual que acarreta complicações no desenvolvimento global da aprendizagem e no desempenho da vida cotidiana. Os atendimentos são oferecidos para alunos sem limite de idade e de visão subnormal com menos de 30% de visão.
Período de realização: atendimento individualizado de cinqüenta minutos em uma ou duas sessões semanais de acordo com o programa estipulado através do estudo de caso. Durante esse atendimento são usados materiais específicos para a estimulação das três funções ópticas: óptica, perceptiva e viso- perceptiva, para o desenvolvimento funcional da visão e foi estruturado de forma hierarquizada buscando o desenvolvimento destas funções. O ILITC dispõe de uma fotocopiadora para ampliação de textos, provas e livros, possui também sala especial escurecida com blackout, um computador para realizar atividades específicas de estimulação visual, lupa eletrônica, luminárias, jogos e brinquedos.
Estimulação visual Estimulação visual Estimulação visual
Informática Especializada
Informática
Informática especializada - Clique para ampliarDescrição: acesso à informática para alunos cegos e com visão subnormal através do uso de recursos oferecidos por softwares especialmente preparados. Esses softwares suprem a deficiência visual através de recursos sonoros, oferecendo um retorno sonoro das informações mostradas no vídeo.
Objetivo : O programa de informática tem como objetivo geral habilitar a pessoa com deficiência visual (total ou parcial) no uso do microcomputador dando-lhe oportunidade de ampliar seus conhecimentos e a posterior inserção no mundo tecnológico.
Público alvo: deficientes visuais totais ou com visão subnormal, acima de 7 anos de idade. O atendimento é dividido em dois segmentos:

Apoio Escolar com o Auxílio do Computador – Com direcionamento pedagógico, este programa visa despertar nas crianças em idade escolar e adolescente o interesse pela informática através de atividades lúdicas, além de treinar os alunos em idade escolar para o uso do microcomputador como auxilio em suas atividades pedagógicas.

Informática com direcionamento profissionalizante – este programa tem o objetivo de preparar a pessoa com deficiência visual para que se torne apta a assumir um posto no mercado de trabalho onde a informática se faça necessária.

Período de realização: o trabalho é realizado através de módulos com duração de 6 meses cada, com 8 horas semanais de aulas.
Oficina Pedagógica
Oficina Pedagógica
Descrição:
 atividade que desenvolve habilidades de vida diária; de comportamento; psicossociais; acadêmicas, motoras, táteis; de trabalho e de produtividade, mobilizando mecanismos internos de apropriação da riqueza do mundo social e cultural que o cerca, aprendendo a utilizar os sentidos remanescentes.
Objetivo: as atividades ofertadas visam proporcionar aos alunos a aquisição de hábitos, experiências e atitudes indispensáveis para seu ajustamento social, vocacional, de forma global, baseado numa série de experiências integradas com a finalidade de ajustar o deficiente visual a sua realidade.
Público alvo: deficientes visuais totais e de visão subnormal a partir de 14 anos.
Período de realização: este programa é dividido em níveis, com graus de dificuldades crescente. O aluno, durante as atividades da oficina, tem a oportunidade de aperfeiçoar as habilidades necessárias para desempenho de tarefas que dependam das percepções e desenvolvimento dos seus sentidos remanescentes e adquirir segurança para ingressar numa oficina profissionalizante.
Orientação e Mobilidade (O.M.)
Orientação e Mobilidade - Clique para ampliarDescrição: a O.M. permite que o deficiente visual cego ou de visão reduzida adquira capacidade de locomover-se nos diversos espaços: casa, escola, comunidade, etc. e ao dominar tais espaços possa sentir-se inserido neles com autonomia, independência e naturalidade sentindo-se mais auto confiante.
Objetivo: o treinamento de O.M. tem por objetivo proporcionar ao deficiente visual o desenvolvimento de habilidades tais como: equilíbrio, lateralidade, noção espacial, percepção auditiva e tátil, consciência corporal, postura, ritmo, atenção, concentração, auto-estima que são pré-requisitos básicos para torná-lo apto à locomoção independente.
Público alvo: deficientes visuais (cego/ visão subnormal severa), independente da idade.
Período de realização: o treinamento é realizado de forma individual, com dois atendimentos semanais e em alguns casos, apenas um atendimento semanal, com duração de 60 minutos no início, podendo estender-se até a 120 minutos de acordo com a necessidade exigida pelas técnicas que se tornam mais complexas no decorrer do treinamento. 
Sorobã
Sorobã
Descrição:
 Sorobã ou Ábaco é um instrumento de calcular de origem milenar largamente usado nos Países orientais. No Brasil foi adaptado para o uso das pessoas com deficiência visual nos anos quarenta.
Objetivo: desenvolver o raciocínio lógico – matemático através de cálculos matemáticos efetuados no instrumento. Além da aprendizagem da utilização do instrumento de cálculo e registro em Braille dos resultados numéricos, a atividade disponibiliza aos alunos jogos matemáticos adaptados.
Público alvo: oferecido preferencialmente aos alunos cegos e com baixa visão onde o comprometimento visual os impedem de efetuar os cálculos da forma convencional (em tinta).
Período de realização: o período total de duração depende do rítmo de cada aluno, podendo se estender, por exemplo, pelo período em que estiver frequentando o ensino regular.

Audiodescrição

Empresas investem em tecnologia para criar mecanismos que possibilitem acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência ao universo das artes


 

Um povo sem cultura não consegue se desenvolver e exercer seu papel de cidadão, criar recursos para lutar por uma sociedade mais justa e igualitária. E um dos segmentos mais alijados do processo cultural brasileiro é o das pessoas com deficiência, que não recebem as mínimas condições de acessibilidade para desfrutar dos prazeres do cinema, da música, de um simples programa de TV, por exemplo. No entanto, há grupos que utilizam tecnologias de ponta para fazer com que essas manifestações cheguem tanto a quem quer consumir cultura quanto a quem deseja produzi-la.
A Iguale Comunicação de Acessibilidade é uma dessas empresas que foram criadas, exclusivamente, para pensar e desenvolver soluções assistivas completas em comunicação para pessoas com algum tipo de deficiência. Foi fundada em 2008, em São Paulo, pelo publicitário, professor universitário e empresário Mauricio Santana. Ele explica que a Iguale foi concebida para oferecer serviços e soluções, que vão além dos disponíveis nos estúdios e produtoras tradicionais de áudio e vídeo ou em agências de comunicação e internet.
“Sua missão é se especializar, de forma contínua, nas técnicas que permitam a promoção da acessibilidade, para que as pessoas garantam, com autonomia, o direito à informação, à cultura e ao lazer. Comunicação de acessibilidade consiste em criar, utilizar ou adaptar os meios tecnológicos e assistivos disponíveis para garantir o acesso ao conteúdo exibido pelos meios de comunicação e de cultura, nas suas mais diferentes manifestações, às pessoas com algum tipo de deficiência”, revela Santana.
Para colocar em prática a comunicação de acessibilidade, a empresa se especializou em audiodescrição, legendas Closed Caption e Open Caption, Libras e em acessibilidade web. A Iguale também participou do processo pela regulamentação da profissão de audiodescritor, feito oficializado no início de 2013, quando o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) incluiu a nomenclatura na CBO (Classificação Brasileira de Ocupações).
No cinema e no teatro, a AD é realizada ao vivo e a narração é feita de dentro de uma cabine montada com uma visão estratégica para a tela grande ou o palco
Em relação às novidades do setor, ele conta que a área de acessibilidade e da tecnologia assistiva tem se desenvolvido nos últimos anos. “Em 2011, a audiodescrição (AD) teve sua estreia na televisão brasileira. Trata-se de um recurso, que tem como base uma narração em áudio, descrevendo o conteúdo visual de programas de TV, filmes, peças teatrais, internet e outros produtos audiovisuais, para que a pessoa com deficiência visual possa ter pleno entendimento e autonomia. A AD já é adotada, também, em outras áreas, como educação, exposições, audioguias, audiolivros, eventos, palestras e em quaisquer atividades similares. A grande aliada para o desenvolvimento da AD é a facilidade de adaptação e de incorporação em várias áreas da comunicação, informação e cultura.”
Santana ressalta que a Iguale, atualmente, estuda e experimenta alguns projetos, que oferecem um áudio descritivo, associado à experiência tátil. “Hoje, em parceria com uma empresa de serigrafia especializada em impressão Braille e acessibilidade, estamos pesquisando e testando a receptividade e o entendimento da imagem, associado à audiodescrição, com imagens disponibilizadas com aplicação de texturas e relevos diferenciados, facilitando para a pessoa com deficiência visual, também, o entendimento dimensional dos elementos visuais de uma fotografia, por exemplo.”
Para a TV, segundo o diretor da Iguale, a audiodescrição é oferecida, somente, para o sinal HD nos canais abertos. Para cinema digital, no exterior, já existem possibilidades de audiodescrição e legendagem para surdos, inseridas no filme distribuído para as salas de exibição. Para a internet, recentemente, o Blog da Audiodescrição divulgou o YouDescribe
(http://www.blogdaaudiodescricao.com.br/2013/08/youdescribe-permite- gravar-audiodescricao-youtube.html), 
uma ferramenta para a gravação de descrições para vídeos do YouTube. “Não podemos considerar uma ferramenta profissional, mas o fato de sua criação, em minha opinião, é um indicador muito positivo de que a audiodescrição está crescendo e se popularizando em todo o mundo”, avalia.

Comunicação de acessibilidade consiste em criar, utilizar ou adaptar os meios tecnológicos e assistivos disponíveis para garantir o acesso ao conteúdo cultural

No cinema e no teatro, a AD é realizada ao vivo, junto à exibição, e disponibilizada ao público por meio de equipamentos eletrônicos, comuns na tradução simultânea (receptores com fone de ouvido). A narração é realizada de dentro de uma cabine montada com uma visão estratégica para a tela grande ou o palco.
Mauricio Santana: “A grande aliada para o desenvolvimento da AD é a facilidade de adaptação e de incorporação em várias áreas da comunicação, informação e cultura”
“Recentemente, desenvolvemos um player MP3, com conteúdo audiodescrito, para a adaptação personalizada na exposição Sentir pra ver, da Arteinclusão, a pedido da curadora Amanda Tojal. É uma solução pensada e programada para ser acessível à pessoa com deficiência. Tem, apenas, um botão de comando para as diferentes funcionalidades e com possibilidade de atualização de conteúdo por meio de cartão de memória”, explica.
Santana participou, recentemente, do 5º Encontro Internacional de Tecnologia e Inovação para Pessoas com Deficiência, em São Paulo. “Foram três apresentações e a discussão maior foi sobre a audiodescrição na TV. Um dos problemas centrais abordados foi que, apesar da AD e do Closed Captionterem sua disponibilização regulamentada por lei, os usuários e assinantes de TV têm problemas para acessar os recursos. Muitos não têm o sinal repassado para as residências.”
Para corroborar a necessidade de que este e outros problemas do tipo sejam solucionados, é sempre bom lembrar do artigo 17 da Lei 10.098, que ficou conhecida como Lei da Acessibilidade: “O Poder Público promoverá a eliminação de barreiras na comunicação e estabelecerá mecanismos e alternativas técnicas que tornem acessíveis os sistemas de comunicação e sinalização às pessoas portadoras de deficiência sensorial e com dificuldade de comunicação, para garantir-lhes o direito de acesso à informação, à comunicação, ao trabalho, à educação, ao transporte, à cultura, ao esporte e ao lazer”.