A
surdocegueira é uma deficiência única em que o indivíduo apresenta ao mesmo
tempo perda da visão e da audição. É considerado surdocego a pessoa que
apresenta estas duas limitações, independente do grau das perdas auditiva e
visual. A pessoa que nasce com surdocegueira ou que fica surdocega não
recebe as informações sobre o que está sua volta de maneira confiante, ela
precisa da mediação de comunicação para poder receber, interpretar e conhecer o
que lhe cerca. A surdocegueira pode
ser congênita ou adquirida e não é deficiência múltipla. Surdocegueira
congênita: quando a criança nasce surdocega ou adquire a
surdocegueira nos primeiros anos de vida antes da aquisição de uma língua
(português ou Libras – Língua Brasileira de Sinais). Um exemplo mais frequente
destes casos é a criança com sequelas da síndrome da rubéola congênita.
Surdocegueira adquirida: quando a pessoa ficou surdocega após a aquisição de
uma língua, seja oral ou sinalizada. Os exemplos mais frequente deste grupo são
pessoas com Síndrome de Usher. Segundo o fascículo (AEE-DMU), as pessoas
surdocegas estão divididas em quatro categorias: pessoas que eram cegas e se
tornaram surdas; que eram surdos e se tornaram cegos; pessoas que se tornaram
surdocegos; pessoas que nasceram surdocegos, ou se tornaram surdocegos antes de
terem aprendido alguma linguagem. De acordo com o
fascículo cinco: Surdocegueira e Deficiência Múltipla (2010, p.11 e 12), a
partir e por meio do corpo, o homem descobre o mundo e a si mesmos, portanto é
extremamente importante favorecer o esquema corporal ao trabalhar as
necessidades específicas das pessoas com surdocegueira e com Deficiências
Múltiplas. Para que estas pessoas possam se auto perceber e perceber o mundo
exterior devem buscar a sua verticalidade, equilíbrio postural, a articulação e
movimentos; o aperfeiçoamento das coordenações viso motora, motora global e
fina; e o desenvolvimento da força muscular.
Deficiência múltipla é quando uma pessoa apresenta mais de uma
deficiência, “é uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de
pessoas, revelando associações diversas que afetam, mais ou menos intensamente,
o funcionamento individual e o relacionamento social” (fascículo DMU). As
pessoas com deficiência múltipla apresentam características específicas,
individuais, singulares e não apresentam necessariamente os mesmos tipos de
deficiência, podem apresentar cegueira e deficiência mental; deficiência
auditiva e deficiência mental; deficiência auditiva e autismo e outros. No aspecto da comunicação, o mediador será responsável por ampliar o
conhecimento do mundo, visando proporcionar autonomia e independência. Quanto
ao posicionamento faz-se necessário a adequação postural da pessoa com DMU para
que possa fazer uso de gestos ou movimentos com os quais tenha a intenção de
comunicar-se.
Para favorecer a eficiência e a interpretação para pessoas com
surdocegueira ou com deficiência múltipla,
a comunicação é dividida em Receptiva e Expressiva.
A comunicação receptiva ocorre quando alguém recebe e processa a
informação dada por meio de uma fonte e forma (escrita, fala, Libras e etc). A
informação pode ser recebida por meio de uma pessoa, rádio ou TV, objetos,
figuras, ou por uma variedade de outras fontes e formas. No entanto,
comunicação receptiva requer que a pessoa que está recebendo a informação forme
uma interpretação que seja equivalente com a mensagem de quem enviou tentou
passar.
A comunicação expressiva requer que um comunicador (pessoa que
comunica) passe a informação para outra pessoa. Comunicação expressiva pode ser
realizada por meio do uso de objetos, gestos, movimentos corporais, fala,
escrita, figuras, e muitas outras variações.
As pessoas com surdocegueira e com deficiência múltipla, que não
apresentam graves problemas motores, precisam aprender usar as duas mãos. Isso
para servir como tentativa de minorar as eventuais estereotipias motoras e pela
necessidade do uso de ambas para o desenvolvimento de um sistema estruturado de
comunicação.
Referências:
Maia, Shirley Rodrigues. AEE – Atendimento Educacional
Especializado. Aspectos Importantes para saber mais sobre Surdocegueira e
Deficiência Múltipla. São Paulo, 2011.
Coletânea UFC-MEC/2010; A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão
Escolar – Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla.

