quarta-feira, 12 de março de 2014

Educação Escolar de Pessoas com Surdez- Atendimento Educacional Especializado em Construção



Estudar a educação escolar das pessoas com surdez nos reporta não só a questões referentes aos seus limites e possibilidades, como também aos preconceitos existentes nas atitudes da sociedade para com elas. As pessoas com surdez enfrentam inúmeros obstáculos para participar da educação escolar, decorrentes da perda da audição e da forma como se estruturam as propostas educacionais das escolas. Muitos alunos com surdez podem ser prejudicados pela falta de estímulos adequados ao seu potencial cognitivo, sócio-afetivo, linguístico e político-cultural e ter perdas consideráveis no desenvolvimento da aprendizagem.
A inclusão do aluno com surdez deve acontecer desde a educação infantil até a educação superior, garantindo-lhe, desde cedo, utilizar os recursos de que necessita para superar as barreiras no processo educacional e usufruir seus direitos escolares, exercendo sua cidadania, de acordo com os princípios constitucionais do nosso país.
A inclusão de pessoas com surdez na escola comum requer que se busquem meios para beneficiar sua participação e aprendizagem tanto na sala de aula comum como no Atendimento Educacional Especializado. Segundo Dorziat (1998), o aperfeiçoamento da escola comum em favor  de todos os alunos é primordial.  Ela observa que os professores precisam conhecer e usar a Língua de sinais, entretanto, deve-se considerar que a simples adoção dessa  língua não é suficiente para escolarizar o aluno com surdez. Se somente o uso de uma língua bastasse para aprender, as pessoas ouvintes não teriam problemas de aproveitamento escolar, já que entram na escola com uma língua oral desenvolvida. Mais do que a utilização de uma língua, os alunos com surdez precisam de ambientes educacionais estimuladores, que desafiem o pensamento, explorem suas capacidades, em todos os sentidos. Considerando a necessidade do desenvolvimento da capacidade representativa e linguística dos alunos com surdez em um turno e o Atendimento Educacional Especializado em outro, contemplando o ensino de libras, o ensino em libras e o ensino da língua portuguesa. O ensino de libras é realizado pelo professor e/ou instrutor de libras (preferencialmente surdo), de acordo  com o estágio de desenvolvimento da língua em que os aluno se encontra. Já o ensino em libras a organização didática desse espaço de ensino implica o uso de muitas imagens visuais e de todo tipo de referência que possam colaborar para o aprendizado dos conteúdos curriculares em estudo na sala de aula comum. O ensino da língua português é desenvolvido por um professor, preferencialmente, formado em língua portuguesa e que conheça os pressupostos linguísticos teóricos que norteiam o trabalho, e, que sobretudo acredite nesta proposta estando disposto a realizar as mudanças para o ensino do português aos alunos com surdez.
O planejamento do Atendimento Educacional Especializado é elaborado e desenvolvido conjuntamente pelos professores que ministram aulas em libras, professor de classe comum e professor de língua portuguesa para pessoas com surdez. O planejamento coletivo inicia-se com a definição do conteúdo curricular, o que implica que os professores pesquisem sobre o assunto a ser ensinado. Em seguida, os professores elaboram o plano de ensino.
DAMÁZIO, M.F.M; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas Com Surdez- Atendimento Educacional Especializado Em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V .5.2010. p.46-57.  

 

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