Estudar a educação escolar
das pessoas com surdez nos reporta não só a questões referentes aos seus
limites e possibilidades, como também aos preconceitos existentes nas atitudes
da sociedade para com elas. As pessoas com surdez enfrentam inúmeros obstáculos
para participar da educação escolar, decorrentes da perda da audição e da forma
como se estruturam as propostas educacionais das escolas. Muitos alunos com
surdez podem ser prejudicados pela falta de estímulos adequados ao seu
potencial cognitivo, sócio-afetivo, linguístico e político-cultural e ter
perdas consideráveis no desenvolvimento da aprendizagem.
A inclusão do aluno com
surdez deve acontecer desde a educação infantil até a educação superior,
garantindo-lhe, desde cedo, utilizar os recursos de que necessita para superar
as barreiras no processo educacional e usufruir seus direitos escolares,
exercendo sua cidadania, de acordo com os princípios constitucionais do nosso
país.
A inclusão de pessoas com
surdez na escola comum requer que se busquem meios para beneficiar sua
participação e aprendizagem tanto na sala de aula comum como no Atendimento
Educacional Especializado. Segundo Dorziat (1998), o aperfeiçoamento da escola
comum em favor de todos os alunos é
primordial. Ela observa que os
professores precisam conhecer e usar a Língua de sinais, entretanto, deve-se
considerar que a simples adoção dessa
língua não é suficiente para escolarizar o aluno com surdez. Se somente
o uso de uma língua bastasse para aprender, as pessoas ouvintes não teriam
problemas de aproveitamento escolar, já que entram na escola com uma língua
oral desenvolvida. Mais do que a utilização de uma língua, os alunos com surdez
precisam de ambientes educacionais estimuladores, que desafiem o pensamento,
explorem suas capacidades, em todos os sentidos. Considerando a necessidade do
desenvolvimento da capacidade representativa e linguística dos alunos com
surdez em um turno e o Atendimento Educacional Especializado em outro,
contemplando o ensino de libras, o ensino em libras e o ensino da língua
portuguesa. O ensino de libras é realizado pelo professor e/ou instrutor de
libras (preferencialmente surdo), de acordo
com o estágio de desenvolvimento da língua em que os aluno se encontra.
Já o ensino em libras a organização didática desse espaço de ensino implica o
uso de muitas imagens visuais e de todo tipo de referência que possam colaborar
para o aprendizado dos conteúdos curriculares em estudo na sala de aula comum.
O ensino da língua português é desenvolvido por um professor,
preferencialmente, formado em língua portuguesa e que conheça os pressupostos
linguísticos teóricos que norteiam o trabalho, e, que sobretudo acredite nesta
proposta estando disposto a realizar as mudanças para o ensino do português aos
alunos com surdez.
O planejamento do
Atendimento Educacional Especializado é elaborado e desenvolvido conjuntamente
pelos professores que ministram aulas em libras, professor de classe comum e
professor de língua portuguesa para pessoas com surdez. O planejamento coletivo
inicia-se com a definição do conteúdo curricular, o que implica que os
professores pesquisem sobre o assunto a ser ensinado. Em seguida, os
professores elaboram o plano de ensino.
DAMÁZIO, M.F.M; FERREIRA, J. Educação
Escolar de Pessoas Com Surdez- Atendimento Educacional Especializado Em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V
.5.2010. p.46-57.


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